Cláudio Cunha em certa entrevista falou que já que seus filmes de comédia e drama com certa pitadas de nudez eram considerados “pornográficos” por boa parte da população brasileira, ele resolveu fazer um filme de sexo explícito, visto que ele já tinha essa fama gratuitamente. Daí saiu “Oh! Rebuceteio” último filme do diretor, em 1984. Não longe do início, o próprio Cláudio como ator faz aquela que, pra mim, é uma das cenas mais representativas do cinema brasileiro: diretor de teatro assistindo um exercício de atores grita “EU QUERO TODO MUNDO NÚ”. Algumas cenas depois, os personagens do teatro ficam excitados com a sacanagem rolando solta, Cláudio então incentiva todos os personagens a se masturbarem, logo após vira pra câmera, olha nos olhos dos espectadores e fala algo como “Você também, mexe gostoso! Pode se masturbar! Soltem seus demônios!”.
De Cláudio Cunha a Clint Eastwood, quem assistiu ao “Gran Torino” (2009) não conseguiu ver como um simples filme: ali temos o personagem-síntese de tudo o que Clint fez em sua carreira. Em uma direção oposta a “Os Imperdoáveis” (1996), esse personagem morre na posição de Jesus Cristo redimindo, automaticamente, todos os papéis de filho da puta que o Clint fez em sua carreira.
Agora vamos linkar as coisas. Esse exemplo de Gran Torino deixa claro que alguns filmes possuem uma direção diferente para serem grandes. Gran Torino só funciona porque é atuado pelo Clint Eastwood, pois aquele personagem tem sentidos que vão muito além do roteiro, muito além do que o filme pode contar (eu vou chamar isso de “extra-ecrã”, já vi essa expressão em algum lugar que não lembro). Agora, vejamos, quando um personagem de outro filme vira pra você e te incentiva a participar de uma sacanagem, ele faz basicamente a mesma coisa. É um filme que assume ser um filme e ter ligações com o mundo real, ainda assim sem deixar de ser filme. A fala de Nenê Garcia, personagem do Cláudio provoca inúmeras reações (eu, por exemplo, morri de rir) e muda a textura de um filme, tornando-o mais “tátil”.
Mais especificamente chegando agora aos peitinhos... Ora, se a Vera Fisher está num filme usando roupa, ela é mais facilmente reconhecida como um personagem. Quando ela mostra os peitinhos, é impossível ver os peitinhos como da personagem, afinal aqueles são os peitinhos de Vera! Quando um peitinho aparece, o ator passa a ser ele mesmo, o personagem não será mais reconhecido por ninguém. E é exatamente esse o convite que todo filme com peitinhos faz, basicamente igual ao de Nenê Garcia – não no sentido de “vai lá, bate uma”, mas de fazer do filme uma coisa mais tátil, mais próxima, a partir do momento que você não está submerso numa ficção que tenta ser plena, afinal “o cinema é a arte das aparências”, já dizia o Papa. É a experiência de fazer uma mentira se tornar verdadeira, ser real e ao mesmo tempo cinema.
E aí é lembrar de uma das características do dito cinema moderno, que é meio que devoto da arte cinematográfica e tenta não esconder isso. Godard é completamente cheio dessas representações. Qualquer um que deixa aparecer a claquete e etc. Julio Bressane então, é rei em fazer de um filme uma verdade. Quem se esquece da câmera no espelho enquanto o macaco de André Tonacci escova os dentes? A diferença é que ainda existe um moralismo em relação aos peitinhos no cinema. Marginalizados e recriminados. Pobres peitinhos... Só me preocupa pensar que essa nova geração de realizadores tá pilhada em fazer bobagem, tão assistindo muita falcatrua por aí e achando coisa de gênio. Tenho pena de mim que vou sofrer muito na vida. Ainda bem que conseguimos registrar Helena Ramos, Cristina Aché e outras musas supremas... e seus peitinhos.. tristes peitinhos.. belos peitinhos...

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